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        <title><![CDATA[Ronald Robson]]></title>
        <description><![CDATA["Que edificada foste do facundo"]]></description>
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          <itunes:name><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:name>
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      <pubDate>Tue, 28 Oct 2025 00:17:42 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[Iniciação à Filosofia com Éric Weil]]></title>
      <description><![CDATA[Estudaremos o livro Lógica da Filosofia (1950), de Éric Weil, possivelmente o levantamento mais sistemático jamais feito sobre os diversos modos de filosofar e os temas que lhes são afins. Esta Iniciação à Filosofia se dirige especialmente àqueles sem maior conhecimento ou mesmo contato prévio com textos filosóficos, mas também atende à curiosidade e necessidade daqueles que, mais experientes, esperam encontrar um tratamento mais direto e complexo de certos temas filosóficos.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Estudaremos o livro Lógica da Filosofia (1950), de Éric Weil, possivelmente o levantamento mais sistemático jamais feito sobre os diversos modos de filosofar e os temas que lhes são afins. Esta Iniciação à Filosofia se dirige especialmente àqueles sem maior conhecimento ou mesmo contato prévio com textos filosóficos, mas também atende à curiosidade e necessidade daqueles que, mais experientes, esperam encontrar um tratamento mais direto e complexo de certos temas filosóficos.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 28 Oct 2025 00:17:42 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>No dia 13 de novembro, iniciarei uma turma de leitura e comentário de <em>Lógica da Filosofia</em> (1950), do filósofo franco-alemão Éric Weil (1904-1977). Saiba ao fim deste texto como se inscrever.</p>
<p><strong>Por que estudar <em>Lógica da Filosofia</em></strong></p>
<p>Esta obra de Éric Weil, que o tempo só consagrará ainda mais como clássica, não escapa de uma questão à qual os filósofos geralmente não dão atenção: nem todos querem ser filósofos; nem todos toleram o discurso filosófico. Terá este último, afinal, alguma razão de ser que justifique sua aspiração à universalidade?</p>
<p>Weil acredita que sim. Sua longa resposta ao questionamento radical dos antifilósofos o fez revisitar os temas mais recorrentes da história da filosofia e os métodos mais frequentemente empregados pelos filósofos, a fim de afirmar, de diferentes maneiras, que o homem racional, que o é não por natureza, mas por aspiração, tem a <em>obrigação</em> moral de triunfar sobre a violência, a começar pela sua própria violência, aquela sua tendência interior, comum a todos os seres humanos, de justificar injustificadamente aquilo que ele deveria saber ser injustificável.</p>
<p>O movimento dialético do pensamento de Weil é implacável. O que ele erige numa página é demolido na página seguinte; um capítulo, não raro, parece a refutação de muito do que se afirmou num capítulo anterior; mas não é bem assim. A impressão de que uma destruição se segue à outra nasce do emprego do arsenal mais básico do filósofo, esse <em>dialético</em> para o qual todas as carências da vida, toda a “negatividade” da existência, têm de ser respondidas com uma decisiva negação, ou, se quiserem, com uma afirmação geral da racionalidade da vida.</p>
<p>Assim, os termos filosóficos usuais, o “ser”, o “infinito”, a “subjetividade”, são de um lado reduzidos a pó, apenas para que, de outro lado, sejam reconstruídos a partir do solo de um filosofar vivo, a todo momento pioneiro, que se recusa à simples diversão com ideias. Weil tem sempre em mente que não só o antifilósofo pode fazer o movimento da filosofia cessar, mas também o filósofo superior, o <em>sábio</em>, pode igualmente silenciá-la ao finalmente encontrar o <em>contentamento</em>.</p>
<p>A substância da sabedoria, contudo, ainda resiste às investidas de Weil e guarda — na verdade sempre guardará, na perspectiva dele — o seu mistério. Ao fim de <em>Lógica da Filosofia</em>, o leitor talvez se torne capaz de admirar, quem sabe até cultivar, esse mistério.</p>
<p><strong>A que público este curso se dirige</strong></p>
<p>Esta Iniciação à Filosofia se dirige especialmente àqueles sem maior conhecimento ou mesmo contato prévio com textos filosóficos, mas também atende à curiosidade e necessidade daqueles que, mais experientes, esperam encontrar um tratamento mais direto e complexo de certos temas filosóficos. Especial atenção será dada ao problema de&nbsp;<em>como ler filosofia</em>.</p>
<p><strong>Como funcionarão as aulas</strong></p>
<p>Serão 4 aulas ao vivo, via Google Meet. Datas: 13/11, 20/11, 27/11, 04/12, às 20h.</p>
<p>As gravações ficarão disponíveis no Google Drive (em até 24h após a transmissão). No dia de cada aula, os alunos receberão via e-mail, com horas de antecedência, o link de acesso à transmissão.</p>
<p>Durante este primeiro mês, iremos nos deter na “Introdução” de <em>Lógica da Filosofia</em>. O plano é cobrir a obra inteira em 6 meses.</p>
<p><strong>&nbsp;Sobre o professor</strong></p>
<p>Ronald Robson, doutor em teoria e história literária (Unicamp), é autor de <a href="https://www.kirion.com.br/contra-a-vida-intelectual-ou-iniciacao-a-cultura-p83480"><em>Contra a vida intelectual, ou iniciação à cultura</em></a><em> </em>&nbsp;(2024) e de <a href="https://videeditorial.com.br/conhecimento-por-presenca-em-torno-da-filosofia-de-olavo-de-carvalho"><em>Conhecimento por presença: em torno da filosofia de Olavo de Carvalho</em></a><em> </em>&nbsp;(2020). Organizou <a href="https://editorasetimoselo.com.br/o-que-restou-de-22--uma-semana-na-contramao-da-historia"><em>O que restou de 22: uma semana na contramão da&nbsp;história</em></a><em> </em>(2022) e editou Nabuco - Revista Brasileira de Humanidades (2014-2016). É o idealizador de <a href="https://flusserproject.com/">FLUSSER_project</a>.</p>
<p><strong>Como se inscrever</strong></p>
<p>Você pode se inscrever pagando de três formas:</p>
<p>- R$ 150 via pix. Minha chave é esta: &lt;<a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a>&gt;</p>
<p>Você pode enviar o comprovante para o e-mail que serve de chave pix.</p>
<p>- R$ 150 em bitcoin. Escreva-me através do e-mail informado e em resposta lhe indicarei a carteira para qual mandar o valor.</p>
<p>- R$ 165 via cartão de crédito. <a href="https://buy.stripe.com/00wbJ24M45Y13hGglzabK00">Clique aqui</a>.</p>
<p>Nesse caso, não é preciso me enviar comprovante algum.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>No dia 13 de novembro, iniciarei uma turma de leitura e comentário de <em>Lógica da Filosofia</em> (1950), do filósofo franco-alemão Éric Weil (1904-1977). Saiba ao fim deste texto como se inscrever.</p>
<p><strong>Por que estudar <em>Lógica da Filosofia</em></strong></p>
<p>Esta obra de Éric Weil, que o tempo só consagrará ainda mais como clássica, não escapa de uma questão à qual os filósofos geralmente não dão atenção: nem todos querem ser filósofos; nem todos toleram o discurso filosófico. Terá este último, afinal, alguma razão de ser que justifique sua aspiração à universalidade?</p>
<p>Weil acredita que sim. Sua longa resposta ao questionamento radical dos antifilósofos o fez revisitar os temas mais recorrentes da história da filosofia e os métodos mais frequentemente empregados pelos filósofos, a fim de afirmar, de diferentes maneiras, que o homem racional, que o é não por natureza, mas por aspiração, tem a <em>obrigação</em> moral de triunfar sobre a violência, a começar pela sua própria violência, aquela sua tendência interior, comum a todos os seres humanos, de justificar injustificadamente aquilo que ele deveria saber ser injustificável.</p>
<p>O movimento dialético do pensamento de Weil é implacável. O que ele erige numa página é demolido na página seguinte; um capítulo, não raro, parece a refutação de muito do que se afirmou num capítulo anterior; mas não é bem assim. A impressão de que uma destruição se segue à outra nasce do emprego do arsenal mais básico do filósofo, esse <em>dialético</em> para o qual todas as carências da vida, toda a “negatividade” da existência, têm de ser respondidas com uma decisiva negação, ou, se quiserem, com uma afirmação geral da racionalidade da vida.</p>
<p>Assim, os termos filosóficos usuais, o “ser”, o “infinito”, a “subjetividade”, são de um lado reduzidos a pó, apenas para que, de outro lado, sejam reconstruídos a partir do solo de um filosofar vivo, a todo momento pioneiro, que se recusa à simples diversão com ideias. Weil tem sempre em mente que não só o antifilósofo pode fazer o movimento da filosofia cessar, mas também o filósofo superior, o <em>sábio</em>, pode igualmente silenciá-la ao finalmente encontrar o <em>contentamento</em>.</p>
<p>A substância da sabedoria, contudo, ainda resiste às investidas de Weil e guarda — na verdade sempre guardará, na perspectiva dele — o seu mistério. Ao fim de <em>Lógica da Filosofia</em>, o leitor talvez se torne capaz de admirar, quem sabe até cultivar, esse mistério.</p>
<p><strong>A que público este curso se dirige</strong></p>
<p>Esta Iniciação à Filosofia se dirige especialmente àqueles sem maior conhecimento ou mesmo contato prévio com textos filosóficos, mas também atende à curiosidade e necessidade daqueles que, mais experientes, esperam encontrar um tratamento mais direto e complexo de certos temas filosóficos. Especial atenção será dada ao problema de&nbsp;<em>como ler filosofia</em>.</p>
<p><strong>Como funcionarão as aulas</strong></p>
<p>Serão 4 aulas ao vivo, via Google Meet. Datas: 13/11, 20/11, 27/11, 04/12, às 20h.</p>
<p>As gravações ficarão disponíveis no Google Drive (em até 24h após a transmissão). No dia de cada aula, os alunos receberão via e-mail, com horas de antecedência, o link de acesso à transmissão.</p>
<p>Durante este primeiro mês, iremos nos deter na “Introdução” de <em>Lógica da Filosofia</em>. O plano é cobrir a obra inteira em 6 meses.</p>
<p><strong>&nbsp;Sobre o professor</strong></p>
<p>Ronald Robson, doutor em teoria e história literária (Unicamp), é autor de <a href="https://www.kirion.com.br/contra-a-vida-intelectual-ou-iniciacao-a-cultura-p83480"><em>Contra a vida intelectual, ou iniciação à cultura</em></a><em> </em>&nbsp;(2024) e de <a href="https://videeditorial.com.br/conhecimento-por-presenca-em-torno-da-filosofia-de-olavo-de-carvalho"><em>Conhecimento por presença: em torno da filosofia de Olavo de Carvalho</em></a><em> </em>&nbsp;(2020). Organizou <a href="https://editorasetimoselo.com.br/o-que-restou-de-22--uma-semana-na-contramao-da-historia"><em>O que restou de 22: uma semana na contramão da&nbsp;história</em></a><em> </em>(2022) e editou Nabuco - Revista Brasileira de Humanidades (2014-2016). É o idealizador de <a href="https://flusserproject.com/">FLUSSER_project</a>.</p>
<p><strong>Como se inscrever</strong></p>
<p>Você pode se inscrever pagando de três formas:</p>
<p>- R$ 150 via pix. Minha chave é esta: &lt;<a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a>&gt;</p>
<p>Você pode enviar o comprovante para o e-mail que serve de chave pix.</p>
<p>- R$ 150 em bitcoin. Escreva-me através do e-mail informado e em resposta lhe indicarei a carteira para qual mandar o valor.</p>
<p>- R$ 165 via cartão de crédito. <a href="https://buy.stripe.com/00wbJ24M45Y13hGglzabK00">Clique aqui</a>.</p>
<p>Nesse caso, não é preciso me enviar comprovante algum.</p>
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      <title><![CDATA[A Virgem em Bagdá]]></title>
      <description><![CDATA[Os cristãos do mundo inteiro deveriam ouvir a voz de Maha, no romance "Ave Maria", ela que fala em nome da Igreja dos Caldeus, a qual fala, com Roma, em nome do Cristo, cuja Mãe segue padecendo em Bagdá diante da visão de seus filhos crucificados.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Os cristãos do mundo inteiro deveriam ouvir a voz de Maha, no romance "Ave Maria", ela que fala em nome da Igreja dos Caldeus, a qual fala, com Roma, em nome do Cristo, cuja Mãe segue padecendo em Bagdá diante da visão de seus filhos crucificados.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 12 Sep 2025 11:34:18 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Numa das primeiras mensagens do seu pontificado, o Papa Leão XIV <a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/speeches/2025/may/documents/20250514-giubileo-chiese-orientali.html"><em>se dirigiu aos fiéis presentes ao Jubileu das Igrejas Orientais</em></a>, no último 14 de maio, dizendo-lhes:</p>
<blockquote>
<p>A Igreja precisa de vós! Como é grande a contribuição que o Oriente cristão nos pode oferecer hoje! Quanta necessidade temos de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas vossas liturgias, que abrangem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e suscitam o enlevo pela grandeza divina que abraça a pequenez humana! E como é importante redescobrir, também no Ocidente cristão, o sentido do primado de Deus, o valor da mistagogia, da intercessão incessante, da penitência, do jejum, do pranto pelos pecados, próprios e de toda a humanidade (<em>penthos</em>), tão típicos das espiritualidades orientais!</p>
</blockquote>
<p>O elogio dessa espiritualidade teria de se fazer acompanhar do temor pelo destino de igrejas especialmente perseguidas: “penso na variedade das vossas proveniências, na história gloriosa e nos amargos sofrimentos que muitas das vossas comunidades padeceram ou padecem”, “pois nos nossos dias tantos irmãos e irmãs orientais, entre os quais muitos de vós, obrigados a fugir dos seus territórios de origem por causa da guerra e das perseguições, da instabilidade e da pobreza, correm o risco, chegando ao Ocidente, de perder não só a pátria, mas também a identidade religiosa.” Leão XIV louva então “aos cristãos – orientais e latinos – que, sobretudo no Oriente Médio, perseveram e resistem nas suas terras, mais fortes do que a tentação de as abandonar. Aos cristãos deve ser dada a oportunidade, não apenas palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Por favor, que se lute por isto!”</p>
<p>As palavras do sumo pontífice cobram um olhar especial não só para as desgraças decorrentes da perseguição de muçulmanos a cristãos, como também para os fatores ocidentais que a fomentam. Da mesma forma que hoje os cristãos de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza são sistematicamente premidos (por assédio, segregação e <a href="https://www.vaticannews.va/en/world/news/2025-07/israel-west-bank-jewish-settlers-christians-palestinians-war.html"><em>ação militar direta</em></a>) a <a href="https://www.theguardian.com/world/2025/apr/18/jerusalem-christians-easter-israeli-crackdown-church-holy-sepulchre"><em>desistirem das terras milenares de suas igrejas e entregá-las a autoridades e empresários israelenses</em></a>, assim também as ações militares dos Estados Unidos no Iraque após o 11 de setembro deflagraram ondas sazonais de violência contras cristãos que deixaram de gozar da proteção tanto do governo corrupto e autoritário de Saddam Hussein, que pelo menos contia os sectarismos anticristãos sob um regime laico, quanto dos americanos, que em grande parte se retirariam e deixariam o governo a cargo de autoridades que tomavam os cristãos, na melhor das hipóteses, como cidadãos de segunda categoria. Coisa similar aconteceria na Síria após a queda do regime de Assad, e com intensidade crescente, a chegar aos <a href="https://www.dw.com/en/attack-on-christians-threatens-syrias-postwar-cohesion/a-73021750"><em>massacres de cristãos</em></a> nos últimos meses sob o olhar despreocupado de um terrorista muçulmano que tomou o poder e hoje governa grande parte do país com a benção dos Estados Unidos.</p>
<p>Um episódio de grande trauma foi o martírio de cerca de 70 cristãos na Catedral Sayidat al-Nejat [Nossa Senhora do Perpétuo Socorro], em Bagdá, em 2010. Esta é uma das mais tradicionais igrejas do país e integra a Igreja Católica Siríaca. É muito frequentada por católicos caldeus, aqueles que no século XVI abandonaram sua posição cismática e voltaram à comunhão com o bispo de Roma, mantendo seus ritos antiquíssimos, em siríaco e aramaico. Essa tragédia e essa espiritualidade caldeia estão no centro do romance <a href="https://editoratabla.com.br/catalogo/ave-maria/?srsltid=AfmBOooZCWlPl5knmm7BA2l4y1E3d_piLHxQ671ig2Q3tmXWtHUfLHyN"><strong>Ave Maria</strong></a><em> </em>(2012), do iraquiano Sinan Antoon, livro ganhador do Prêmio Internacional de Ficção Árabe em 2013 e lançado no Brasil em 2024.</p>
<p><img src="https://blossom.primal.net/302f6a82ed127d38363ce658e041829d27e7a0e82d53298c1c07bb8737400916.jpg" alt=""></p>
<p>O romance se estrutura entre dois polos temporais, próprios a dois personagens (cujas vozes ouviremos em primeira pessoa em determinados capítulos): o Iraque dos anos 1950 e 1960, com o assassinato da família real e a ascensão dos republicanos, época da qual o já velho Yussef nos trará suas memórias agridoces, mas sempre otimistas, em especial de sua falecida irmã Hinna, uma santa, que deixou de ser freira para dedicar-se à criação dos irmãos; e o Iraque dos 1990 a 2010, com o recrudescimento da perseguição a cristãos, da qual padeceria a família de Maha, sobrinha de Yussef, ela que sentiria no corpo as marcas da violência. A distância entre sobrinha e tio, em cuja casa ela mora com o marido, é aquela entre o desespero de quem só conheceu o convite ao martírio e quem conheceu épocas melhores. Os iraquianos, em <em>Ave Maria</em>, sobrevivem de nostalgia, cada um a exercendo a seu modo, por exemplo numa comunidade do Facebook (trad. Jemima Alves):</p>
<blockquote>
<p>Os comentários dos membros abaixo das fotos novas postadas no mural do grupo me faziam lembrar do discurso de Yussef sobre o passado e as lamentações sobre o presente. O mais estranho é que o passado não tem começo nem fim. Há entre eles os que consideram o fim dos anos dourados a chegada dos baathistas, em 1903, e o assassinato de Abdul Karim Qassim. Há outros que veem na ascensão de Saddam, em 1979, o início do fim. Há quem estenda os tempos de alegria até 1991. Para outros, esse período se encerra em 2003. A maioria deles sente saudades da monarquia, partilha fotos da família real e considera a revolta militar e a selvageria que mataram a família real o princípio do mal.</p>
</blockquote>
<p>Um elemento do passado ainda persiste e independe de qualquer nostalgia, ainda que agora de forma mal cuidada: a tamareira, esta planta quase sagrada na tradição semítica. No Iraque, tamareira é coisa séria, é questão de administração pública, e foi justamente na Autoridade Iraquiana das Tamareiras que transcorreu a vida profissional de Yussef, um burocrata que, encarregado da tradução de documentos do inglês para o árabe, tornou-se afinal um perito nessa palmeira. Para ele, os tempos mudavam conforme mudava o destino das tamareiras. Ouve de um amigo: “até as tamareiras são classificadas agora como sunitas ou xiitas”. Yussef, católico, acredita numa história presente em evangelho apócrifo e aproveitada pelo Corão na surata 19: “E as dores do parto levaram-na a se abrigar no tronco da tamareira. Ela disse: Quem dera eu tivesse morrido e fosse totalmente esquecida. Então, abaixo dela, uma voz chamou: Por que te afliges, não fez teu Senhor correr sob ti um regato em tua direção, e do tronco da tamareira cair sobre ti um fruto maduro?” A imagem da tamareira irá se imiscuir em toda a sua fé: “Via o Messias como uma árvore sagrada que nunca morre, mesmo se arrancada pelas tempestades ou carregada pelas enchentes. A árvore voltaria à vida na primavera”.</p>
<p>Os versos de poetas árabes clássicos que ouvia de um amigo, entre um copo e outro de <em>arak </em>(destilado alcoólico), acrescentam cor local à sua vida religiosa, limitada, é verdade, e displicente, porém sincera, e sempre tingida de respeito pela religião dos amigos muçulmanos, como aquele que, quando da morte da irmã com vocação de freira, “Sentara-se na primeira fila da igreja e recitara a <em>Fatiha</em> duas vezes pela alma de Hinna”.</p>
<p>A sobrinha Maha, com quem se desentende logo na primeira página do romance (o que abrirá o arco de busca mútua de conciliação que estrutura toda a narrativa), é uma cristã mais dedicada. No ponto alto do livro, o capítulo “<em>Mater Dolorosa</em>”, o narrador de Sinan Antoon assume linguagem menos anódina e contida em metáforas, própria à narrativa de Yussef, para agora entregar-se a figuras de linguagem de toda ordem e imagens que buscam fixar uma dor: a de uma mãe que perde o filho ainda em seu ventre. “A morte atravessou meu corpo, procurando meu filho para enforcá-lo em meu ventre. (...) Quando chegamos ao hospital, em vez de dois corações, havia apenas um batendo dentro de mim. Por que Bachar foi arrancado de meu ventre antes que pudesse amadurecer? (...) Foi do ventre para o túmulo sem passar pelo berço”.</p>
<p>A devoção de Maha pela Virgem Maria, ela que também teve de assistir à morte do Filho, chega a uma intensidade que leva seu marido, Luay, a preocupar-se com uma espécie de luto perpétuo. O sentimento dela é este: “Todos os anos o Filho de Deus ressurge dos mortos. O filho dos homens, meu filho, foi tragado pela morte antes mesmo de nascer, e de lá nunca ressuscitará. O ventre feito túmulo, o corpo como sepulcro. Sem me mexer, eu o visito”. Como numa canção da intérprete libanesa Farouz, ela busca na Virgem piedade para si e para o seu país: “A mãe de Jesus chorou e com ela quem a via / Piedade à nação que matou seu pastor”.</p>
<p>Tio e sobrinha experimentariam, de formas diversas e em momentos vários, o risco da morte violenta ou do exílio – conforme o atentado à Catedral Sayidat al-Nejat deixaria claro. Ambos, contudo, resistem, o que faz lembrar as palavras do Papa Leão XIV mencionadas mais acima. Diz Yussef no aceso da discussão com a sobrinha: “Este país é de todo mundo. É nosso e de nossos antepassados. A história está aí para provar… desde os tempos de Daqnawus [Décio, imperador romano de 249 a 251]. Desde os caldeus, os abássidas e os otomanos até a fundação do Estado do Iraque. Os museus são testemunhas. Sempre estivemos aqui”.</p>
<p>Tendo discordado do tio naquele momento, Maha três dias depois diria palavras em parte idênticas, como quem o homenageia: “Não somos estrangeiros. Sempre estivemos aqui, há séculos. (...) A história está aí para provar, assim como a arqueologia. Nossos monastérios e outros artefatos arqueológicos mostram isso. E não é só no norte do país. Por todo o Iraque. Mesmo em Najaf existem monastérios e ruínas de igrejas, do mesmo modo que Karbala e Nassariya. Não temos ambição de governar nada. (...) Só queremos viver em paz”.</p>
<p>Os cristãos do mundo inteiro deveriam ouvir a voz de Maha, que fala em nome da Igreja dos Caldeus, a qual fala, com Roma, em nome do Cristo, cuja Mãe segue padecendo em Bagdá diante da visão de seus filhos crucificados.<br><br><em>Texto veiculado originalmente em 18/07/25 pela newsletter do </em><a href="https://lp.seminariodefilosofia.org/nl-captura/"><em>Seminário de Filosofia</em></a>.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Numa das primeiras mensagens do seu pontificado, o Papa Leão XIV <a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/speeches/2025/may/documents/20250514-giubileo-chiese-orientali.html"><em>se dirigiu aos fiéis presentes ao Jubileu das Igrejas Orientais</em></a>, no último 14 de maio, dizendo-lhes:</p>
<blockquote>
<p>A Igreja precisa de vós! Como é grande a contribuição que o Oriente cristão nos pode oferecer hoje! Quanta necessidade temos de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas vossas liturgias, que abrangem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e suscitam o enlevo pela grandeza divina que abraça a pequenez humana! E como é importante redescobrir, também no Ocidente cristão, o sentido do primado de Deus, o valor da mistagogia, da intercessão incessante, da penitência, do jejum, do pranto pelos pecados, próprios e de toda a humanidade (<em>penthos</em>), tão típicos das espiritualidades orientais!</p>
</blockquote>
<p>O elogio dessa espiritualidade teria de se fazer acompanhar do temor pelo destino de igrejas especialmente perseguidas: “penso na variedade das vossas proveniências, na história gloriosa e nos amargos sofrimentos que muitas das vossas comunidades padeceram ou padecem”, “pois nos nossos dias tantos irmãos e irmãs orientais, entre os quais muitos de vós, obrigados a fugir dos seus territórios de origem por causa da guerra e das perseguições, da instabilidade e da pobreza, correm o risco, chegando ao Ocidente, de perder não só a pátria, mas também a identidade religiosa.” Leão XIV louva então “aos cristãos – orientais e latinos – que, sobretudo no Oriente Médio, perseveram e resistem nas suas terras, mais fortes do que a tentação de as abandonar. Aos cristãos deve ser dada a oportunidade, não apenas palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Por favor, que se lute por isto!”</p>
<p>As palavras do sumo pontífice cobram um olhar especial não só para as desgraças decorrentes da perseguição de muçulmanos a cristãos, como também para os fatores ocidentais que a fomentam. Da mesma forma que hoje os cristãos de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza são sistematicamente premidos (por assédio, segregação e <a href="https://www.vaticannews.va/en/world/news/2025-07/israel-west-bank-jewish-settlers-christians-palestinians-war.html"><em>ação militar direta</em></a>) a <a href="https://www.theguardian.com/world/2025/apr/18/jerusalem-christians-easter-israeli-crackdown-church-holy-sepulchre"><em>desistirem das terras milenares de suas igrejas e entregá-las a autoridades e empresários israelenses</em></a>, assim também as ações militares dos Estados Unidos no Iraque após o 11 de setembro deflagraram ondas sazonais de violência contras cristãos que deixaram de gozar da proteção tanto do governo corrupto e autoritário de Saddam Hussein, que pelo menos contia os sectarismos anticristãos sob um regime laico, quanto dos americanos, que em grande parte se retirariam e deixariam o governo a cargo de autoridades que tomavam os cristãos, na melhor das hipóteses, como cidadãos de segunda categoria. Coisa similar aconteceria na Síria após a queda do regime de Assad, e com intensidade crescente, a chegar aos <a href="https://www.dw.com/en/attack-on-christians-threatens-syrias-postwar-cohesion/a-73021750"><em>massacres de cristãos</em></a> nos últimos meses sob o olhar despreocupado de um terrorista muçulmano que tomou o poder e hoje governa grande parte do país com a benção dos Estados Unidos.</p>
<p>Um episódio de grande trauma foi o martírio de cerca de 70 cristãos na Catedral Sayidat al-Nejat [Nossa Senhora do Perpétuo Socorro], em Bagdá, em 2010. Esta é uma das mais tradicionais igrejas do país e integra a Igreja Católica Siríaca. É muito frequentada por católicos caldeus, aqueles que no século XVI abandonaram sua posição cismática e voltaram à comunhão com o bispo de Roma, mantendo seus ritos antiquíssimos, em siríaco e aramaico. Essa tragédia e essa espiritualidade caldeia estão no centro do romance <a href="https://editoratabla.com.br/catalogo/ave-maria/?srsltid=AfmBOooZCWlPl5knmm7BA2l4y1E3d_piLHxQ671ig2Q3tmXWtHUfLHyN"><strong>Ave Maria</strong></a><em> </em>(2012), do iraquiano Sinan Antoon, livro ganhador do Prêmio Internacional de Ficção Árabe em 2013 e lançado no Brasil em 2024.</p>
<p><img src="https://blossom.primal.net/302f6a82ed127d38363ce658e041829d27e7a0e82d53298c1c07bb8737400916.jpg" alt=""></p>
<p>O romance se estrutura entre dois polos temporais, próprios a dois personagens (cujas vozes ouviremos em primeira pessoa em determinados capítulos): o Iraque dos anos 1950 e 1960, com o assassinato da família real e a ascensão dos republicanos, época da qual o já velho Yussef nos trará suas memórias agridoces, mas sempre otimistas, em especial de sua falecida irmã Hinna, uma santa, que deixou de ser freira para dedicar-se à criação dos irmãos; e o Iraque dos 1990 a 2010, com o recrudescimento da perseguição a cristãos, da qual padeceria a família de Maha, sobrinha de Yussef, ela que sentiria no corpo as marcas da violência. A distância entre sobrinha e tio, em cuja casa ela mora com o marido, é aquela entre o desespero de quem só conheceu o convite ao martírio e quem conheceu épocas melhores. Os iraquianos, em <em>Ave Maria</em>, sobrevivem de nostalgia, cada um a exercendo a seu modo, por exemplo numa comunidade do Facebook (trad. Jemima Alves):</p>
<blockquote>
<p>Os comentários dos membros abaixo das fotos novas postadas no mural do grupo me faziam lembrar do discurso de Yussef sobre o passado e as lamentações sobre o presente. O mais estranho é que o passado não tem começo nem fim. Há entre eles os que consideram o fim dos anos dourados a chegada dos baathistas, em 1903, e o assassinato de Abdul Karim Qassim. Há outros que veem na ascensão de Saddam, em 1979, o início do fim. Há quem estenda os tempos de alegria até 1991. Para outros, esse período se encerra em 2003. A maioria deles sente saudades da monarquia, partilha fotos da família real e considera a revolta militar e a selvageria que mataram a família real o princípio do mal.</p>
</blockquote>
<p>Um elemento do passado ainda persiste e independe de qualquer nostalgia, ainda que agora de forma mal cuidada: a tamareira, esta planta quase sagrada na tradição semítica. No Iraque, tamareira é coisa séria, é questão de administração pública, e foi justamente na Autoridade Iraquiana das Tamareiras que transcorreu a vida profissional de Yussef, um burocrata que, encarregado da tradução de documentos do inglês para o árabe, tornou-se afinal um perito nessa palmeira. Para ele, os tempos mudavam conforme mudava o destino das tamareiras. Ouve de um amigo: “até as tamareiras são classificadas agora como sunitas ou xiitas”. Yussef, católico, acredita numa história presente em evangelho apócrifo e aproveitada pelo Corão na surata 19: “E as dores do parto levaram-na a se abrigar no tronco da tamareira. Ela disse: Quem dera eu tivesse morrido e fosse totalmente esquecida. Então, abaixo dela, uma voz chamou: Por que te afliges, não fez teu Senhor correr sob ti um regato em tua direção, e do tronco da tamareira cair sobre ti um fruto maduro?” A imagem da tamareira irá se imiscuir em toda a sua fé: “Via o Messias como uma árvore sagrada que nunca morre, mesmo se arrancada pelas tempestades ou carregada pelas enchentes. A árvore voltaria à vida na primavera”.</p>
<p>Os versos de poetas árabes clássicos que ouvia de um amigo, entre um copo e outro de <em>arak </em>(destilado alcoólico), acrescentam cor local à sua vida religiosa, limitada, é verdade, e displicente, porém sincera, e sempre tingida de respeito pela religião dos amigos muçulmanos, como aquele que, quando da morte da irmã com vocação de freira, “Sentara-se na primeira fila da igreja e recitara a <em>Fatiha</em> duas vezes pela alma de Hinna”.</p>
<p>A sobrinha Maha, com quem se desentende logo na primeira página do romance (o que abrirá o arco de busca mútua de conciliação que estrutura toda a narrativa), é uma cristã mais dedicada. No ponto alto do livro, o capítulo “<em>Mater Dolorosa</em>”, o narrador de Sinan Antoon assume linguagem menos anódina e contida em metáforas, própria à narrativa de Yussef, para agora entregar-se a figuras de linguagem de toda ordem e imagens que buscam fixar uma dor: a de uma mãe que perde o filho ainda em seu ventre. “A morte atravessou meu corpo, procurando meu filho para enforcá-lo em meu ventre. (...) Quando chegamos ao hospital, em vez de dois corações, havia apenas um batendo dentro de mim. Por que Bachar foi arrancado de meu ventre antes que pudesse amadurecer? (...) Foi do ventre para o túmulo sem passar pelo berço”.</p>
<p>A devoção de Maha pela Virgem Maria, ela que também teve de assistir à morte do Filho, chega a uma intensidade que leva seu marido, Luay, a preocupar-se com uma espécie de luto perpétuo. O sentimento dela é este: “Todos os anos o Filho de Deus ressurge dos mortos. O filho dos homens, meu filho, foi tragado pela morte antes mesmo de nascer, e de lá nunca ressuscitará. O ventre feito túmulo, o corpo como sepulcro. Sem me mexer, eu o visito”. Como numa canção da intérprete libanesa Farouz, ela busca na Virgem piedade para si e para o seu país: “A mãe de Jesus chorou e com ela quem a via / Piedade à nação que matou seu pastor”.</p>
<p>Tio e sobrinha experimentariam, de formas diversas e em momentos vários, o risco da morte violenta ou do exílio – conforme o atentado à Catedral Sayidat al-Nejat deixaria claro. Ambos, contudo, resistem, o que faz lembrar as palavras do Papa Leão XIV mencionadas mais acima. Diz Yussef no aceso da discussão com a sobrinha: “Este país é de todo mundo. É nosso e de nossos antepassados. A história está aí para provar… desde os tempos de Daqnawus [Décio, imperador romano de 249 a 251]. Desde os caldeus, os abássidas e os otomanos até a fundação do Estado do Iraque. Os museus são testemunhas. Sempre estivemos aqui”.</p>
<p>Tendo discordado do tio naquele momento, Maha três dias depois diria palavras em parte idênticas, como quem o homenageia: “Não somos estrangeiros. Sempre estivemos aqui, há séculos. (...) A história está aí para provar, assim como a arqueologia. Nossos monastérios e outros artefatos arqueológicos mostram isso. E não é só no norte do país. Por todo o Iraque. Mesmo em Najaf existem monastérios e ruínas de igrejas, do mesmo modo que Karbala e Nassariya. Não temos ambição de governar nada. (...) Só queremos viver em paz”.</p>
<p>Os cristãos do mundo inteiro deveriam ouvir a voz de Maha, que fala em nome da Igreja dos Caldeus, a qual fala, com Roma, em nome do Cristo, cuja Mãe segue padecendo em Bagdá diante da visão de seus filhos crucificados.<br><br><em>Texto veiculado originalmente em 18/07/25 pela newsletter do </em><a href="https://lp.seminariodefilosofia.org/nl-captura/"><em>Seminário de Filosofia</em></a>.</p>
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      <item>
      <title><![CDATA[A Technological Republic is not enough]]></title>
      <description><![CDATA["The Technological Republic" presents readers with a plan without guidelines, a doctrine without soul, a religion without spirit, while it condemns precisely the moral and intellectual “agnosticism” of those tasked with creating and managing the software that will define the survival or disappearance of the West as we know it.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA["The Technological Republic" presents readers with a plan without guidelines, a doctrine without soul, a religion without spirit, while it condemns precisely the moral and intellectual “agnosticism” of those tasked with creating and managing the software that will define the survival or disappearance of the West as we know it.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 03 Sep 2025 13:04:33 GMT</pubDate>
      <link>https://ronaldrobson.npub.pro/post/a-technological-republic-is-not-enough/</link>
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      <npub>npub15k9zvc6nu8ry4mng7a8hqmqmck6utn7mwhhxcex3nekp9pam9yvq7zwc7q</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>The political and cultural reality we used to call the West has been for a long time assailed by the facts and no less by the reflection these facts entail. Before we start to celebrate or to deplore the situation it is convenient to choose some thermometer by which to sense it. A suggestive one is a piece by the sociologist Kyle Chan published some months ago in <em>The New York Times</em> with an eye-catching title: <a href="https://www.nytimes.com/2025/05/19/opinion/china-us-trade-tariffs.html"><em>“In the Future, China Will Be Dominant. The U.S. Will Be Irrelevant”</em></a>.</p>
<p><strong>The fractured West</strong></p>
<p>By comparing the fundamental transformations China is imposing on the global supply chains with the incapacity of the United States and its allies to deter the Chinese expansion (for example, most steel production today is in Chinese soil), Chan is provoked to coin the term “Chinese century”: just another name for the century we are already in, a century that emerged as the inevitable outcome of the Western nations’ energy mishandling in their almost exclusive attention to irrelevant or ridiculous matters. While the West remains internally fractured (“polarization”) and eagerly arguing if a man can or cannot be a woman, China fabricates steel and chips and expands its gigantic informational infrastructure.</p>
<p>At the bottom of the situation lies the problem of West’s unity. This unity maybe was achieved one day in the past, but it is no more. And this is why Xi Jiping, or Vladimir Putin (two authentic political futurists, not nostalgic ones), force from the top down and through state intervention an unity without which their nations would risk being in the same situation as the United Kingdom, whose half of the subsidized housing is inhabited by foreigners who have great difficulty in identifying with the English society. Hence the divide.</p>
<p>These are some facts, all related to the fracture of the entire system of international relations built in the post-war period. And what about the interpretations prompted by these facts? Let’s look at one.</p>
<p>At the end of 2024, the European Research Council (ERC) invested nine million euros – to be spent by 2031 – in the <a href="https://cordis.europa.eu/project/id/101167040"><em>MOSAIC project</em></a>, an acronym for “Mapping the Occult Sciences in Islamic Cultures”. The four researchers involved, all of great academic repute in the field of religious sciences, intend to redraw – literally, to trace new borders – the cultural map of what is considered to be the West. This, in fact, would not have been fractured recently. In truth (and here comes the thousandth cultural critique in the style of Edward Said), it would have always been a colonialist and segregating concept, which does not recognize as its fundamental part, for example, the cultures of North Africa and the Middle East, despite the importance of Egypt and Syria for the formation of various currents of thought that would orient disparate Western movements, from the structuring of the Church in the West to the fostering of a myriad of long-lasting esotericism, reaching the beginnings of modern science.</p>
<p>To encompass this rejected cultural slice of the West, as well as the Arab presence in Spain, Portugal, and Italy, the researchers start from an expanded concept of the West, to the point of even speaking of “Western Islam”. Not that the idea doesn’t make sense: in some respects, it is accurate, just as it is dangerous in view of the uses it can produce in a Europe that day by day is demographically forced to understand itself, in fact, as part of “Western Islam”.</p>
<p><strong>The Software Century</strong></p>
<p><img src="https://blossom.primal.net/5cfdbb83c1bf2c2266619b31ac7a8611ed9bbdb4937d15f645f3b9b46b57d5fa.jpg" alt=""></p>
<p>The facts addressed by Kyle Chan and the interpretations forwarded by the MOSAIC project researchers sketch the background for a recent attempt to take a serious look at the fractured West challenges: I’m thinking of the book <a href="https://www.amazon.com/Technological-Republic-Power-Belief-Future/dp/0593798694/"><strong>The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West</strong></a>, by Alex Karp and Nicholas W. Zamiska.</p>
<p>The authors don’t shy away from the risk of this century being the Chinese century because they know, no matter what, this one is and will continue to be “The Software Century”. Therefore they have written a book for diagnosing our times and for championing one idea that has become heretical in libertarian and right-wing circles:</p>
<p>&gt; A skepticism of government work and national ambition took hold in the Valley. The grand, collectivist experiments of the earlier part of the twentieth century were discarded in favor of a narrow attentiveness to the desires and needs of the individual. The market rewarded shallow engagement with the potential of technology, as startup after startup catered to the whims of late capitalist culture without any interest in constructing the technical infrastructure that would address our most significant challenges as a nation. The age of social media platforms and food delivery apps had arrived. Medical breakthroughs, education reform, and military advances would have to wait. (...) [This happened because] The most capable generation of coders has never experienced a war or genuine social upheaval. (...) It will, however, be a union of the state and the software industry — not their separation and disentanglement — that will be required for the United States and its allies in Europe and around the world to remain as dominant in this century as they were in the last. (...) It is essential that we redirect our attention toward building the next generation of AI weaponry that will determine the balance of power in this century, as the atomic age ends, and the next.</p>
<p>This idea sounds even more heterodox, maybe cynical, because Karp is no less than one of the Palantir founders, this complex and discrete company that since 2003 has developed solutions in data management for US intelligence agencies and military departments. The extremely expensive jobs performed by this corporation that since its inception has the declared purpose of helping the Big Brother to surveil<strong> </strong>the world include: the intelligence actions that led to Osama Bin Laden killing; the watching of illegals in American soil and the devising of better ways of capturing and deporting them; the monitoring of Russian troops in Ukraine, country that would have been completely occupied without the Palantir assistance (the company established an office there); global bank fraud detection and the chasing of dirty money to be employed in terrorism acts; and the most Orwellian case currently taking place in a Gaza Strip under complete surveillance, with the killing of combatants that would later be recognized as not so combatant as expected…</p>
<p>PhD in Social Theory by Goethe University (Frankfurt), Karp deserves a compliment for the openness displayed in <em>The Technological Republic</em>, whose theoretical foundations dictate the aims and methods of his private Leviathan. This openness is rarely seen in globalist billionaires.</p>
<p>By calling on Silicon Valley’s post-hipsters to look more kindly on the State and American ideals, from which they benefit but for which they do not want to sacrifice themselves, Karp and Zamiska make a sermon difficult to assimilate in usual political keys. The defense of “democracy”, they think, will depend on a kind of state entrepreneurship, which will emulate, in its own way, the organizational principle of a start-up: like a beehive (in chapter 10 they cite famous studies on bee behavior), it will be an organization that will advance diffusely, without the need for imposing central control, but with perfect synchronicity. More or less as occurred in the Manhattan Project, when scientists worked freely in the Los Alamos desert, with unlimited budget and permanent incentive for the most counterintuitive ideas, and delivered the atomic bomb to the Pentagon.</p>
<p>The authors are part of a long lineage of cultural critics of the “closing of the American mind” (lineage for which Allan Bloom’s book is paramount), and it is in this fashion that they target the ideological softness of those in charge of big tech companies. These men and women are called in Chapter 6 “technological agnostics”; they are unwilling to adhere to any opinion on “what constitutes a good or virtuous life” and attach themselves only to “a sort of disembodied morality, one unshackled from the inconvenient particularities of actual life”. It won’t raise anybody’s eyebrows to know the authors have in mind especially the woke movement. It's not fair to say its adherents have no faith; it's more accurate to say they have only one faith: the faith in themselves. For this reason they have developed technologies for the ego (Instagram’s stories, for that matter), and not technologies that would improve people's real lives. Today, the higher liberal creed consists in the affirmation of an extreme capitalist individualism. And not without reason, as “their own distaste for defending culture or concepts of nationhood leaves a void that the market itself fills”. The deterioration of the nation concept and the concurrent despise for patriotism (or anything that resembles a care for a precisely identifiable community) are the obvious results of that state of mind.</p>
<p><strong>A Mere Technological Republic is not enough</strong></p>
<p>“A society unguided by moral values can hardly be expected to remain cohesive under stress”, we can read in an excerpt the authors reproduce from the Goh Report (1979), a blueprint for public policies in Singapore, a country that faced real danger of desaggregation after its independence from Malaysia. Lee Kuan Yew, prime minister of that country from 1959 to 1990 with powers of a benevolent dictator, said that with an unifying spirit Singapore would stand on its feet for the next thousand years. Karp e Zamiska want to convince the Western elites that they too need to be standing in a millenia from now, and standing in a superior and mandatory position. Nevertheless this new Reich, if raised according to the author’s instructions, maybe won’t last even a century.</p>
<p>It’s true they want to recover the individual’s “belonging” to the Western societies. It’s true, they know, that “It is this disinterest in mythology, in shared narratives, that we have as a culture taken too far”. They even cite Alasdair MacIntyre and his standing that time has come to build “new forms of community within which the moral life” can “be sustained”. They write:</p>
<p>&gt; Without such belonging, there is nothing for which to fight, nothing to defend, and nothing to work toward. A commitment to capitalism and the rights of the individual, however ardent, will never be sufficient; it is too thin and meager, too narrow, to sustain the human soul and psyche. James K. A. Smith, a philosophy professor at Calvin University, has correctly noted that “Western liberal democracies have lived off the borrowed capital of the church for centuries”. If contemporary elite culture continues its assault on organized religion, what will remain to sustain the state? What have we built, or aspired to build, in its place?</p>
<p>Indeed, what remains? Karp and Palantir offer nothing more than an ugly portrait of the enemies of the West. As for what would be the foundations of this entity to be defended, the “West”, with its “civil rights” and its “democracy”, the authors go silent. The reason is perhaps simple, and is found in these words by sociologist Manuel Castells, cited in the book: “Elites are cosmopolitan, people are local”. Karp and Palantir are cosmopolitan, or, if you will, even globalists; they are not local, they are unaware of communities. For them, “nation” is a healthy “mythology”; “religion” is only an inspiring ideology. <em>The Technological Republic</em> presents readers with a plan without guidelines, a doctrine without soul, a religion without spirit, while it condemns precisely the moral and intellectual “agnosticism” of those tasked with creating and managing the software that will define the survival or disappearance of the West as we know it.</p>
<p>Isn’t it a tragedy that the critics of this critical scenario are perfect embodiments of the crisis’s reasons, a fact of which they don’t seem to have the faintest inkling? This definitely does not foretell good days for the “West”, “civil rights”, and “democracy”.</p>
<p><em>* A Portuguese first version of the text, which appears here with editions, was published by the </em><a href="https://lp.seminariodefilosofia.org/nl-captura/"><strong>Seminário de Filosofia’s newsletter</strong></a><em>.</em></p>
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      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>The political and cultural reality we used to call the West has been for a long time assailed by the facts and no less by the reflection these facts entail. Before we start to celebrate or to deplore the situation it is convenient to choose some thermometer by which to sense it. A suggestive one is a piece by the sociologist Kyle Chan published some months ago in <em>The New York Times</em> with an eye-catching title: <a href="https://www.nytimes.com/2025/05/19/opinion/china-us-trade-tariffs.html"><em>“In the Future, China Will Be Dominant. The U.S. Will Be Irrelevant”</em></a>.</p>
<p><strong>The fractured West</strong></p>
<p>By comparing the fundamental transformations China is imposing on the global supply chains with the incapacity of the United States and its allies to deter the Chinese expansion (for example, most steel production today is in Chinese soil), Chan is provoked to coin the term “Chinese century”: just another name for the century we are already in, a century that emerged as the inevitable outcome of the Western nations’ energy mishandling in their almost exclusive attention to irrelevant or ridiculous matters. While the West remains internally fractured (“polarization”) and eagerly arguing if a man can or cannot be a woman, China fabricates steel and chips and expands its gigantic informational infrastructure.</p>
<p>At the bottom of the situation lies the problem of West’s unity. This unity maybe was achieved one day in the past, but it is no more. And this is why Xi Jiping, or Vladimir Putin (two authentic political futurists, not nostalgic ones), force from the top down and through state intervention an unity without which their nations would risk being in the same situation as the United Kingdom, whose half of the subsidized housing is inhabited by foreigners who have great difficulty in identifying with the English society. Hence the divide.</p>
<p>These are some facts, all related to the fracture of the entire system of international relations built in the post-war period. And what about the interpretations prompted by these facts? Let’s look at one.</p>
<p>At the end of 2024, the European Research Council (ERC) invested nine million euros – to be spent by 2031 – in the <a href="https://cordis.europa.eu/project/id/101167040"><em>MOSAIC project</em></a>, an acronym for “Mapping the Occult Sciences in Islamic Cultures”. The four researchers involved, all of great academic repute in the field of religious sciences, intend to redraw – literally, to trace new borders – the cultural map of what is considered to be the West. This, in fact, would not have been fractured recently. In truth (and here comes the thousandth cultural critique in the style of Edward Said), it would have always been a colonialist and segregating concept, which does not recognize as its fundamental part, for example, the cultures of North Africa and the Middle East, despite the importance of Egypt and Syria for the formation of various currents of thought that would orient disparate Western movements, from the structuring of the Church in the West to the fostering of a myriad of long-lasting esotericism, reaching the beginnings of modern science.</p>
<p>To encompass this rejected cultural slice of the West, as well as the Arab presence in Spain, Portugal, and Italy, the researchers start from an expanded concept of the West, to the point of even speaking of “Western Islam”. Not that the idea doesn’t make sense: in some respects, it is accurate, just as it is dangerous in view of the uses it can produce in a Europe that day by day is demographically forced to understand itself, in fact, as part of “Western Islam”.</p>
<p><strong>The Software Century</strong></p>
<p><img src="https://blossom.primal.net/5cfdbb83c1bf2c2266619b31ac7a8611ed9bbdb4937d15f645f3b9b46b57d5fa.jpg" alt=""></p>
<p>The facts addressed by Kyle Chan and the interpretations forwarded by the MOSAIC project researchers sketch the background for a recent attempt to take a serious look at the fractured West challenges: I’m thinking of the book <a href="https://www.amazon.com/Technological-Republic-Power-Belief-Future/dp/0593798694/"><strong>The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West</strong></a>, by Alex Karp and Nicholas W. Zamiska.</p>
<p>The authors don’t shy away from the risk of this century being the Chinese century because they know, no matter what, this one is and will continue to be “The Software Century”. Therefore they have written a book for diagnosing our times and for championing one idea that has become heretical in libertarian and right-wing circles:</p>
<p>&gt; A skepticism of government work and national ambition took hold in the Valley. The grand, collectivist experiments of the earlier part of the twentieth century were discarded in favor of a narrow attentiveness to the desires and needs of the individual. The market rewarded shallow engagement with the potential of technology, as startup after startup catered to the whims of late capitalist culture without any interest in constructing the technical infrastructure that would address our most significant challenges as a nation. The age of social media platforms and food delivery apps had arrived. Medical breakthroughs, education reform, and military advances would have to wait. (...) [This happened because] The most capable generation of coders has never experienced a war or genuine social upheaval. (...) It will, however, be a union of the state and the software industry — not their separation and disentanglement — that will be required for the United States and its allies in Europe and around the world to remain as dominant in this century as they were in the last. (...) It is essential that we redirect our attention toward building the next generation of AI weaponry that will determine the balance of power in this century, as the atomic age ends, and the next.</p>
<p>This idea sounds even more heterodox, maybe cynical, because Karp is no less than one of the Palantir founders, this complex and discrete company that since 2003 has developed solutions in data management for US intelligence agencies and military departments. The extremely expensive jobs performed by this corporation that since its inception has the declared purpose of helping the Big Brother to surveil<strong> </strong>the world include: the intelligence actions that led to Osama Bin Laden killing; the watching of illegals in American soil and the devising of better ways of capturing and deporting them; the monitoring of Russian troops in Ukraine, country that would have been completely occupied without the Palantir assistance (the company established an office there); global bank fraud detection and the chasing of dirty money to be employed in terrorism acts; and the most Orwellian case currently taking place in a Gaza Strip under complete surveillance, with the killing of combatants that would later be recognized as not so combatant as expected…</p>
<p>PhD in Social Theory by Goethe University (Frankfurt), Karp deserves a compliment for the openness displayed in <em>The Technological Republic</em>, whose theoretical foundations dictate the aims and methods of his private Leviathan. This openness is rarely seen in globalist billionaires.</p>
<p>By calling on Silicon Valley’s post-hipsters to look more kindly on the State and American ideals, from which they benefit but for which they do not want to sacrifice themselves, Karp and Zamiska make a sermon difficult to assimilate in usual political keys. The defense of “democracy”, they think, will depend on a kind of state entrepreneurship, which will emulate, in its own way, the organizational principle of a start-up: like a beehive (in chapter 10 they cite famous studies on bee behavior), it will be an organization that will advance diffusely, without the need for imposing central control, but with perfect synchronicity. More or less as occurred in the Manhattan Project, when scientists worked freely in the Los Alamos desert, with unlimited budget and permanent incentive for the most counterintuitive ideas, and delivered the atomic bomb to the Pentagon.</p>
<p>The authors are part of a long lineage of cultural critics of the “closing of the American mind” (lineage for which Allan Bloom’s book is paramount), and it is in this fashion that they target the ideological softness of those in charge of big tech companies. These men and women are called in Chapter 6 “technological agnostics”; they are unwilling to adhere to any opinion on “what constitutes a good or virtuous life” and attach themselves only to “a sort of disembodied morality, one unshackled from the inconvenient particularities of actual life”. It won’t raise anybody’s eyebrows to know the authors have in mind especially the woke movement. It's not fair to say its adherents have no faith; it's more accurate to say they have only one faith: the faith in themselves. For this reason they have developed technologies for the ego (Instagram’s stories, for that matter), and not technologies that would improve people's real lives. Today, the higher liberal creed consists in the affirmation of an extreme capitalist individualism. And not without reason, as “their own distaste for defending culture or concepts of nationhood leaves a void that the market itself fills”. The deterioration of the nation concept and the concurrent despise for patriotism (or anything that resembles a care for a precisely identifiable community) are the obvious results of that state of mind.</p>
<p><strong>A Mere Technological Republic is not enough</strong></p>
<p>“A society unguided by moral values can hardly be expected to remain cohesive under stress”, we can read in an excerpt the authors reproduce from the Goh Report (1979), a blueprint for public policies in Singapore, a country that faced real danger of desaggregation after its independence from Malaysia. Lee Kuan Yew, prime minister of that country from 1959 to 1990 with powers of a benevolent dictator, said that with an unifying spirit Singapore would stand on its feet for the next thousand years. Karp e Zamiska want to convince the Western elites that they too need to be standing in a millenia from now, and standing in a superior and mandatory position. Nevertheless this new Reich, if raised according to the author’s instructions, maybe won’t last even a century.</p>
<p>It’s true they want to recover the individual’s “belonging” to the Western societies. It’s true, they know, that “It is this disinterest in mythology, in shared narratives, that we have as a culture taken too far”. They even cite Alasdair MacIntyre and his standing that time has come to build “new forms of community within which the moral life” can “be sustained”. They write:</p>
<p>&gt; Without such belonging, there is nothing for which to fight, nothing to defend, and nothing to work toward. A commitment to capitalism and the rights of the individual, however ardent, will never be sufficient; it is too thin and meager, too narrow, to sustain the human soul and psyche. James K. A. Smith, a philosophy professor at Calvin University, has correctly noted that “Western liberal democracies have lived off the borrowed capital of the church for centuries”. If contemporary elite culture continues its assault on organized religion, what will remain to sustain the state? What have we built, or aspired to build, in its place?</p>
<p>Indeed, what remains? Karp and Palantir offer nothing more than an ugly portrait of the enemies of the West. As for what would be the foundations of this entity to be defended, the “West”, with its “civil rights” and its “democracy”, the authors go silent. The reason is perhaps simple, and is found in these words by sociologist Manuel Castells, cited in the book: “Elites are cosmopolitan, people are local”. Karp and Palantir are cosmopolitan, or, if you will, even globalists; they are not local, they are unaware of communities. For them, “nation” is a healthy “mythology”; “religion” is only an inspiring ideology. <em>The Technological Republic</em> presents readers with a plan without guidelines, a doctrine without soul, a religion without spirit, while it condemns precisely the moral and intellectual “agnosticism” of those tasked with creating and managing the software that will define the survival or disappearance of the West as we know it.</p>
<p>Isn’t it a tragedy that the critics of this critical scenario are perfect embodiments of the crisis’s reasons, a fact of which they don’t seem to have the faintest inkling? This definitely does not foretell good days for the “West”, “civil rights”, and “democracy”.</p>
<p><em>* A Portuguese first version of the text, which appears here with editions, was published by the </em><a href="https://lp.seminariodefilosofia.org/nl-captura/"><strong>Seminário de Filosofia’s newsletter</strong></a><em>.</em></p>
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      <item>
      <title><![CDATA[From Standard Notes to Obsidian]]></title>
      <description><![CDATA[In search of a note-taking app for writers.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[In search of a note-taking app for writers.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 05 Mar 2025 12:33:17 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>After two years of using Standard Notes as my main note-taking app, I’m switching to Obsidian.</p>
<p>The $100 that Standard Notes charges for basic editing capabilities is difficult to justify, especially for someone paying in Brazilian Real and striving to make a living from writing. However, I will certainly miss its simplicity and cleaner interface.</p>
<p>It’s my impression that the developers are missing an opportunity to create a privacy-focused note-taking app tailored to the specific needs of writers, rather than general users.</p>
<p>Substack, for example, achieved such success because it targeted the distribution and monetization of writers’ work. But we need more tools focused not on distribution or monetization, but on the actual process—indeed, the various phases of the process—of creating texts. This is especially true for complex, long-form texts with different levels of argumentation, numerous written and multimedia sources, and cross-references to other works by the author.</p>
<p>It’s crucial that an app like this doesn’t feel overly complex, like Notion or Evernote, or so all-purpose, like Obsidian. And, of course, I’m not talking about a new full-fledged text editor like Scrivener.</p>
<p>Just a thought. Take note.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>After two years of using Standard Notes as my main note-taking app, I’m switching to Obsidian.</p>
<p>The $100 that Standard Notes charges for basic editing capabilities is difficult to justify, especially for someone paying in Brazilian Real and striving to make a living from writing. However, I will certainly miss its simplicity and cleaner interface.</p>
<p>It’s my impression that the developers are missing an opportunity to create a privacy-focused note-taking app tailored to the specific needs of writers, rather than general users.</p>
<p>Substack, for example, achieved such success because it targeted the distribution and monetization of writers’ work. But we need more tools focused not on distribution or monetization, but on the actual process—indeed, the various phases of the process—of creating texts. This is especially true for complex, long-form texts with different levels of argumentation, numerous written and multimedia sources, and cross-references to other works by the author.</p>
<p>It’s crucial that an app like this doesn’t feel overly complex, like Notion or Evernote, or so all-purpose, like Obsidian. And, of course, I’m not talking about a new full-fledged text editor like Scrivener.</p>
<p>Just a thought. Take note.</p>
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      <title><![CDATA[Meus planos para 2025]]></title>
      <description><![CDATA[De Ursinho Pooh a Ignacio Gómez de Liaño.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[De Ursinho Pooh a Ignacio Gómez de Liaño.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Mon, 09 Dec 2024 13:39:49 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Concluir com minha filha, até o fim de 2025, a leitura da tradução latina de <em>Ursinho Pooh</em>, isto é, <em>Winnie Ille Pu</em>, de Alexander Lenard (1910-1972), poeta, ensaísta e tradutor húngaro que viveu no Brasil. Que texto curioso! Estranho estímulo que me chegou para voltar a estudar latim a sério.</li>
</ol>
<p><img src="https://yakihonne.s3.ap-east-1.amazonaws.com/a58a266353e1c64aee68f74f706c1bc5b5c5cfdb75ee6c64d19e6c1287bb2918/files/1733750102793-YAKIHONNES3.jpg" alt="image"></p>
<ol start="2">
<li><p>Importar mais livros pela <a href="https://www.thriftbooks.com/">Thrift Books</a> e menos pela Loja do Diabo. Seu acervo é excepcional e o frete é mais barato. Às vezes, em menos de duas semanas já estou com o livro em mãos (e olha que resido no Maranhão).</p>
</li>
<li><p>Concluir e publicar meu livro <em>Vida após as Universidades. Escrita &amp; criação em velhos &amp; novos contextos de risco</em>, desenvolvimento de algumas ideias que insinuei em <a href="https://www.kirion.com.br/contra-a-vida-intelectual-ou-iniciacao-a-cultura-p83480">Contra a vida intelectual</a>, no que diz respeito ao encerramento de um ciclo histórico de modos de fazer investigação erudita.</p>
</li>
<li><p>Rematar o terceiro e último módulo de <a href="https://ronaldrobson.com/cursos/">Convivium - Seminário Permanente de Humanidades</a>, <strong>"A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador"</strong>, embrião de um longo ensaio sobre o "projeto humanista" e as vias de saída da modernidade oferecidas pelo pensamento latino-americano. (As inscrições seguem abertas. Caso queira inscrever-se pagando em bitcoin, me mande um e-mail: <a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a>).</p>
</li>
<li><p>Defender no primeiro semestre minha tese de doutoramento sobre <strong>João Francisco Lisboa</strong> (1812-1863), o maior prosador brasileiro de meados do século XIX. Compreender seu <em>Jornal de Tímon</em> implica rever concepções há muitos estabelecidas sobre a formação da literatura brasileira.</p>
</li>
<li><p>Escrever pelo menos cinco ensaios de apresentação do pensamento de <strong>Vilém Flusser</strong> e do que pretendo realizar em <a href="https://ronaldrobson.com/flusser_project/">FLUSSER_project</a>. A ideia é divulgá-los em inglês e especialmente aqui pelo Nostr.</p>
</li>
<li><p>Ler TUDO de <a href="https://docta.ucm.es/entities/publication/0fd9b6c9-2894-403f-b343-4318c1024ec7">Ignacio Gómez de Liaño</a>.</p>
</li>
<li><p>Não ceder à tentação de discutir com imbecil.</p>
</li>
</ol>
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      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
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<li>Concluir com minha filha, até o fim de 2025, a leitura da tradução latina de <em>Ursinho Pooh</em>, isto é, <em>Winnie Ille Pu</em>, de Alexander Lenard (1910-1972), poeta, ensaísta e tradutor húngaro que viveu no Brasil. Que texto curioso! Estranho estímulo que me chegou para voltar a estudar latim a sério.</li>
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<li><p>Importar mais livros pela <a href="https://www.thriftbooks.com/">Thrift Books</a> e menos pela Loja do Diabo. Seu acervo é excepcional e o frete é mais barato. Às vezes, em menos de duas semanas já estou com o livro em mãos (e olha que resido no Maranhão).</p>
</li>
<li><p>Concluir e publicar meu livro <em>Vida após as Universidades. Escrita &amp; criação em velhos &amp; novos contextos de risco</em>, desenvolvimento de algumas ideias que insinuei em <a href="https://www.kirion.com.br/contra-a-vida-intelectual-ou-iniciacao-a-cultura-p83480">Contra a vida intelectual</a>, no que diz respeito ao encerramento de um ciclo histórico de modos de fazer investigação erudita.</p>
</li>
<li><p>Rematar o terceiro e último módulo de <a href="https://ronaldrobson.com/cursos/">Convivium - Seminário Permanente de Humanidades</a>, <strong>"A Alegoria do Mundo: o Mago, o Filólogo e o Colonizador"</strong>, embrião de um longo ensaio sobre o "projeto humanista" e as vias de saída da modernidade oferecidas pelo pensamento latino-americano. (As inscrições seguem abertas. Caso queira inscrever-se pagando em bitcoin, me mande um e-mail: <a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a>).</p>
</li>
<li><p>Defender no primeiro semestre minha tese de doutoramento sobre <strong>João Francisco Lisboa</strong> (1812-1863), o maior prosador brasileiro de meados do século XIX. Compreender seu <em>Jornal de Tímon</em> implica rever concepções há muitos estabelecidas sobre a formação da literatura brasileira.</p>
</li>
<li><p>Escrever pelo menos cinco ensaios de apresentação do pensamento de <strong>Vilém Flusser</strong> e do que pretendo realizar em <a href="https://ronaldrobson.com/flusser_project/">FLUSSER_project</a>. A ideia é divulgá-los em inglês e especialmente aqui pelo Nostr.</p>
</li>
<li><p>Ler TUDO de <a href="https://docta.ucm.es/entities/publication/0fd9b6c9-2894-403f-b343-4318c1024ec7">Ignacio Gómez de Liaño</a>.</p>
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      <title><![CDATA["Máquina e segredo". Ou sobre a alegoria do mundo]]></title>
      <description><![CDATA[Pague em bitcoin e tenha 25% de desconto no acesso à minha investigação do projeto humanista.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Pague em bitcoin e tenha 25% de desconto no acesso à minha investigação do projeto humanista.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 15 Feb 56705 16:48:06 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Ronald Robson]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quem sabe – quem sabe! – você se interesse em saber como andam as minhas pesquisas sobre o “projeto humanista” em <strong>“A alegoria do mundo: o mago, o filólogo e o colonizador”</strong>, módulo atual de <a href="https://ronaldrobson.com/cursos/">Convivium – Seminário Permanente de Humanidades</a>.</p>
<p>Na semana passada fiz uma transmissão de áudio no grupo do Telegram dos participantes. Entre outros temas abordados, pude falar da interpretação que Edgar Wind faz do quadro “Primavera”, de Botticelli, como uma explicitação do tipo de alegoria platonizante que dominaria a mente de humanistas da Renascença.</p>
<p><a href="https://image.nostr.build/6e1ee79986d3d4c929609fdf037a3e1e6ee399559fb7e2b5d8c02ad0b9b188ad.jpg" class="vbx-media" target="_blank"><img class="venobox" src="https://image.nostr.build/6e1ee79986d3d4c929609fdf037a3e1e6ee399559fb7e2b5d8c02ad0b9b188ad.jpg"></a></p>
<p>A alegoria é o modo mental, defende E. H. Gombrich, pelo qual uma tese é proposta antes que as causas e analogias que a embasam sejam estabelecidas, de modo que o processo associativo irá apenas justificar a posteriori o que se quis desde logo comunicar. Imagine George Orwell postado às suas costas enquanto você lê <em>1984</em>. A todo momento, ele irá cutucar o seu ombro e dizer: “Está vendo? Aqui está o que <em>eu quis dizer</em> com a fala desse personagem nesse trecho”. O texto é apenas pretexto para uma mensagem, e é a mensagem que se ergue com claro perfil discursivo diante do leitor. A ficção começa a ceder espaço para o palanque.</p>
<p>Defendo que a alegoria é a mãe das mitologias abstratas, do romance de tese e da experiência de avatar que caracteriza o mundo digital. E seus princípios de analogia arbitrária, que datam do fim da Idade Média, ganham exemplificação máxima nas obras <em>Da magia</em> e <em>Dos vínculos</em>, de <strong>Giordano Bruno</strong>, que discutirei numa aula ao vivo hoje (26), às 20h30. Na atuação de Bruno se nota como a magia foi cada vez mais percebida de maneira imaterial, abstrata, psicologizante (e dessa sua concepção nos vêm os primeiros prenúncios do inconsciente), ao mesmo tempo que sua primeira ocupação com o mundo material foi aos poucos transferida para as ciências que tendiam a ignorar o elemento humano que manipula esse mesmo mundo material.</p>
<p>Se por um lado, portanto, começa a triunfar uma cosmovisão que supõe um ser humano quase sobrenatural em seus poderes psíquicos (segundo a nova ideia de magia como manipulação da memória), por outro lado começa a se difundir uma cosmovisão que supõe um mundo subtraído de todo elemento humano, uma espécie de cosmos impessoal, aquele que hoje se encontra nos livros de física. Penso que essa como que esquizofrenia reflete a dinâmica de exaltação e depressão do erudito que comentei durante a leitura do <em>Fausto</em> de Goethe realizada no primeiro módulo de Convivium: o herói do poema ora se sente um deus ora se sente um verme, tal como hoje é muito comum nos sentirmos.</p>
<p>Na aula de hoje irei lidar com aquele primeiro aspecto da analogia como arma de um ego entronado, ao passo que na primeira semana de outubro irei disponibilizar aos alunos o texto “Máquina e segredo”, acompanhado de vídeo com comentários complementares. Nesse escrito tratarei, por exemplo, de como os inventos de <strong>Giambattista della Porta</strong> (1535-1615), especialmente na área da <strong>criptografia</strong>, assinalam não só um novo estágio na história da tecnologia, como também um novo estágio da disposição dos estudiosos para com o conhecimento, uma disposição típica do que venho chamando de “nova aposta de Pascal”, conceito que terei a oportunidade de rever.</p>
<p>“Máquina e segredo” será o primeiro excerto que colocarei em discussão do ensaio <em>O destino do humanismo</em>, que talvez acabe recebendo o título de <em>A alegoria do mundo</em>, como o atual e terceiro módulo de Convivium; a ver.</p>
<p>Para comemorar este momento importante das pesquisas que venho fazendo a respeito do “projeto humanista” (iniciadas em 2020, privadamente, e continuadas algo publicamente a partir de 2022), resolvi dar <strong>25% de desconto na inscrição de Convivium para quem optar por pagar em bitcoin</strong>. Algumas pessoas já chegaram a Convivium por meio do <a href="https://nostr.how/pt/what-is-nostr">Nostr</a>, e é minha intenção trazer ainda mais gente. Em vez de pagar R$ 449, pague agora R$ 336,75 para ter acesso a:</p>
<ol>
<li><em>O destino do humanismo: uma leitura do Fausto de Goethe</em>, com 12 aulas, materiais complementares e aulas bônus (mais de 20 horas de vídeo);</li>
<li><em>Os livros da vida: Abelardo, Dante, Cardano, Santa Teresa</em>, com mais 12 aulas, textos e materiais auxiliares (mais de 20 horas de vídeo idem);</li>
<li><em>A alegoria do mundo: o mago, o filólogo e o colonizador</em>, módulo em andamento e com aulas mensais até abril de 2025. Até o momento tivemos 4 aulas ao vivo, 3 vídeos pré-gravados e 3 transmissões de áudio, além de comentários esparsos pelo grupo do Telegram.</li>
</ol>
<p>Caso queira se inscrever pagando em bitcoin, mande-me uma mensagem privada ou e-mail para <a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Ronald Robson]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Quem sabe – quem sabe! – você se interesse em saber como andam as minhas pesquisas sobre o “projeto humanista” em <strong>“A alegoria do mundo: o mago, o filólogo e o colonizador”</strong>, módulo atual de <a href="https://ronaldrobson.com/cursos/">Convivium – Seminário Permanente de Humanidades</a>.</p>
<p>Na semana passada fiz uma transmissão de áudio no grupo do Telegram dos participantes. Entre outros temas abordados, pude falar da interpretação que Edgar Wind faz do quadro “Primavera”, de Botticelli, como uma explicitação do tipo de alegoria platonizante que dominaria a mente de humanistas da Renascença.</p>
<p><a href="https://image.nostr.build/6e1ee79986d3d4c929609fdf037a3e1e6ee399559fb7e2b5d8c02ad0b9b188ad.jpg" class="vbx-media" target="_blank"><img class="venobox" src="https://image.nostr.build/6e1ee79986d3d4c929609fdf037a3e1e6ee399559fb7e2b5d8c02ad0b9b188ad.jpg"></a></p>
<p>A alegoria é o modo mental, defende E. H. Gombrich, pelo qual uma tese é proposta antes que as causas e analogias que a embasam sejam estabelecidas, de modo que o processo associativo irá apenas justificar a posteriori o que se quis desde logo comunicar. Imagine George Orwell postado às suas costas enquanto você lê <em>1984</em>. A todo momento, ele irá cutucar o seu ombro e dizer: “Está vendo? Aqui está o que <em>eu quis dizer</em> com a fala desse personagem nesse trecho”. O texto é apenas pretexto para uma mensagem, e é a mensagem que se ergue com claro perfil discursivo diante do leitor. A ficção começa a ceder espaço para o palanque.</p>
<p>Defendo que a alegoria é a mãe das mitologias abstratas, do romance de tese e da experiência de avatar que caracteriza o mundo digital. E seus princípios de analogia arbitrária, que datam do fim da Idade Média, ganham exemplificação máxima nas obras <em>Da magia</em> e <em>Dos vínculos</em>, de <strong>Giordano Bruno</strong>, que discutirei numa aula ao vivo hoje (26), às 20h30. Na atuação de Bruno se nota como a magia foi cada vez mais percebida de maneira imaterial, abstrata, psicologizante (e dessa sua concepção nos vêm os primeiros prenúncios do inconsciente), ao mesmo tempo que sua primeira ocupação com o mundo material foi aos poucos transferida para as ciências que tendiam a ignorar o elemento humano que manipula esse mesmo mundo material.</p>
<p>Se por um lado, portanto, começa a triunfar uma cosmovisão que supõe um ser humano quase sobrenatural em seus poderes psíquicos (segundo a nova ideia de magia como manipulação da memória), por outro lado começa a se difundir uma cosmovisão que supõe um mundo subtraído de todo elemento humano, uma espécie de cosmos impessoal, aquele que hoje se encontra nos livros de física. Penso que essa como que esquizofrenia reflete a dinâmica de exaltação e depressão do erudito que comentei durante a leitura do <em>Fausto</em> de Goethe realizada no primeiro módulo de Convivium: o herói do poema ora se sente um deus ora se sente um verme, tal como hoje é muito comum nos sentirmos.</p>
<p>Na aula de hoje irei lidar com aquele primeiro aspecto da analogia como arma de um ego entronado, ao passo que na primeira semana de outubro irei disponibilizar aos alunos o texto “Máquina e segredo”, acompanhado de vídeo com comentários complementares. Nesse escrito tratarei, por exemplo, de como os inventos de <strong>Giambattista della Porta</strong> (1535-1615), especialmente na área da <strong>criptografia</strong>, assinalam não só um novo estágio na história da tecnologia, como também um novo estágio da disposição dos estudiosos para com o conhecimento, uma disposição típica do que venho chamando de “nova aposta de Pascal”, conceito que terei a oportunidade de rever.</p>
<p>“Máquina e segredo” será o primeiro excerto que colocarei em discussão do ensaio <em>O destino do humanismo</em>, que talvez acabe recebendo o título de <em>A alegoria do mundo</em>, como o atual e terceiro módulo de Convivium; a ver.</p>
<p>Para comemorar este momento importante das pesquisas que venho fazendo a respeito do “projeto humanista” (iniciadas em 2020, privadamente, e continuadas algo publicamente a partir de 2022), resolvi dar <strong>25% de desconto na inscrição de Convivium para quem optar por pagar em bitcoin</strong>. Algumas pessoas já chegaram a Convivium por meio do <a href="https://nostr.how/pt/what-is-nostr">Nostr</a>, e é minha intenção trazer ainda mais gente. Em vez de pagar R$ 449, pague agora R$ 336,75 para ter acesso a:</p>
<ol>
<li><em>O destino do humanismo: uma leitura do Fausto de Goethe</em>, com 12 aulas, materiais complementares e aulas bônus (mais de 20 horas de vídeo);</li>
<li><em>Os livros da vida: Abelardo, Dante, Cardano, Santa Teresa</em>, com mais 12 aulas, textos e materiais auxiliares (mais de 20 horas de vídeo idem);</li>
<li><em>A alegoria do mundo: o mago, o filólogo e o colonizador</em>, módulo em andamento e com aulas mensais até abril de 2025. Até o momento tivemos 4 aulas ao vivo, 3 vídeos pré-gravados e 3 transmissões de áudio, além de comentários esparsos pelo grupo do Telegram.</li>
</ol>
<p>Caso queira se inscrever pagando em bitcoin, mande-me uma mensagem privada ou e-mail para <a href="mailto:camoensiii57@protonmail.com">camoensiii57@protonmail.com</a></p>
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